Verdade – Dr. Gabriel Cousens

Quando você olha para o mundo de hoje é impossível deixar de notar que existem muito poucas pessoas que vivem na verdade. Nós podemos colocar a culpa nos políticos, mas os políticos refletem a população. Viver na verdade não significa que você tem que ser iluminado, mas viver na integridade com o melhor que puder em termos de uma verdade interior. Quanto mais você meditar e praticar os Seis Fundamentos, mais você estará em contato com a sua verdade interior. É exatamente o que acontece. Dessa forma, viver na verdade, não se trata de quaisquer ideias, conceitos, sistemas de religião, ou crença, mas é algo que vem antes de tudo isso. Em essência, viver na verdade é viver conforme o fluxo do Divino. A palavra que melhor descreve isso seja talvez o Tao.

Para viver na verdade você deve primeiro ter uma conexão interna e um fluxo interno, caso contrário trata-se apenas de uma teoria. Quando você está vivendo a experiência interior da verdade interior através do processo de meditação e dos outros fundamentos, isso é apenas parte da história. Quando você tem acesso à verdade interior, o poder de autenticidade e santidade nas suas ações começa a emergir. Isso não significa que você não comete erros, pois esta não é a questão. A verdade não significa necessariamente que você está certo no plano externo. A verdade é viver de uma forma que todas as suas ações tragam santificação para o mundo e para si mesmo. É uma forma de consciência e de santidade. É o reflexo da alma e da verdade dentro de um plano externo de ações externas. Isso exige mais do que um pouco de consciência.

Significa realmente questionar a si mesmo, não obsessivamente, mas fazer-se as seguintes perguntas: “O que estou fazendo?” E “Será que estou vivendo na autenticidade da minha verdade mais profunda?” Quando você está comendo, você está comendo na sua autenticidade? Quando você está meditando você está realmente presente? Quando você está andando por aí você está na autenticidade? Isto não é exatamente igual à observação. É viver no fluxo do momento, porque você está conectado com isso. É por isso que viver na verdade se aproxima do Tao, pois este é baseado no conhecimento direto e em essência é estar em harmonia com a vontade divina que flui através de você. É viver em sinal de rendição à verdade divina em alinhamento com toda a criação. Isso é diferente de moralidade. É diferente de ética. É estar em alinhamento com a essência de quem somos em relação ao fluxo da criação. Mais uma vez, isso exige bastante trabalho de reflexão e muita conscientização e sensibilidade.

Havia uma vez um famoso rabino no início de 1800, conhecido como rabino Kotzker. Ele não escreveu nenhum livro, mas sua mensagem era “somente a verdade”. Era algo tão forte que ele acabou tendo pouca orientação com o mundo e ele basicamente permaneceu em seu quarto ou em uma caverna. Ele via que as pessoas simplesmente não tinham a capacidade de viver na verdade. E de certa forma essa foi a sua fraqueza, porém sua intenção era muito clara. Qualquer pessoa que realmente estivesse envolvido em uma prática espiritual com ele era forçada a olhar para cada ação, e se perguntar se aquela era realmente a expressão da sua integridade verdadeira. Este é um desafio muito grande. É uma expressão-chave do caminho espiritual.

Não é intelectual. É um modo de estar no mundo que vem depois que você já adquiriu a consciência interior. Ao mesmo tempo, o fato de não ter consciência não é uma desculpa para não viver na verdade o melhor que você puder. Isto é um pouco paradoxal.

No mundo de hoje, onde grande parte do mundo não é capaz de sustentar esse entendimento, é necessária muita cautela. Pode ser difícil permanecer em integridade, porque nem todo mundo está jogando o mesmo jogo. Trata-se de uma interface. Trata-se de viver em uma configuração onde você será mais apoiado e vivendo na verdade sem todas as nossas pretensões. Talvez a orientação mais clara para isso seja auto examinar cada ação para ver se ela está alinhada com a sua consciência interior da verdade, e com os ensinamentos espirituais, da moral e da ética dos últimos 6.000 anos, e das grandes escrituras. Isso nos proporciona um leme. Sem esse leme, podemos fazer tudo o que queremos. Isto é claramente o que estamos vendo hoje e as pessoas estão tornando-se hipócritas a respeito disso, pois ainda não estão em contato com suas almas.

Não pode ser moral e ética que inventamos do nada. É preciso que esteja relacionada a alguma coisa. Nós também estamos falando sobre o fluxo interno de nossa própria conexão pessoal com a maneira com que Deus se revela. É muito sutil. Precisamos de uma âncora porque você pode estar no fluxo e ainda completamente fora de contato. Não é tão abertamente óbvio, mas é um esforço espiritual heroico para tentar viver na verdade. A medida que fazemos isso nos aproximamos de viver a verdade mais e mais.

Que todos sejam abençoados com a capacidade de ter a força para viver na verdade a cada momento.

Amém.

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